ABNA – O Líder Mártir explica que a essência da adoração (ibadah) é a servidão (ubudiyyah). Ser servo significa estar vinculado e submisso a alguém ou a alguma coisa. No entanto, nem toda forma de servidão é negativa. A submissão à ciência, à pureza, à luz e, sobretudo, a Deus representa uma forma elevada de aperfeiçoamento humano.
Segundo ele, ser servo de Deus significa submeter-se Àquele que é a origem de todo bem, de toda perfeição e de toda luz. Por isso, essa servidão constitui a mais elevada condição do ser humano. Em contrapartida, tornar-se servo de outros homens, de governantes opressores ou dos próprios desejos e paixões representa uma forma de humilhação, pois os seres humanos são limitados e imperfeitos.
O Líder Mártir afirma ainda que, em algumas tradições religiosas, como o cristianismo, a relação entre Deus e o homem passou a ser apresentada como uma relação de pai e filho. Para ele, essa concepção não corresponde ao autêntico monoteísmo islâmico, pois Deus está acima de qualquer limitação ou característica própria das criaturas. O Alcorão afirma claramente: "Ele não gera nem foi gerado" (Lam yalid wa lam yulad), indicando que Deus transcende qualquer conceito de filiação.
Ele acrescenta que Deus, sendo infinito e absolutamente perfeito, não pode ser comparado às criaturas nem possuir atributos físicos ou limitações. Somente um Ser absoluto, livre de qualquer deficiência, é digno de adoração e veneração.
Na sua visão, o caminho da perfeição humana consiste em submeter-se voluntariamente a Deus, com reverência, amor e devoção. Essa entrega consciente constitui o verdadeiro objetivo da criação do ser humano e o conduz ao crescimento espiritual.
Por fim, o Líder Mártir ressalta que a verdadeira servidão a Deus implica rejeitar qualquer outra forma de escravidão. Quem é servo de Deus não pode tornar-se escravo dos desejos, do ego, do poder ou de qualquer autoridade injusta. Um dos pilares fundamentais do monoteísmo é justamente negar toda forma de servidão que não seja dirigida exclusivamente a Deus, libertando o ser humano da escravidão das paixões e das dominações terrenas.
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